Desejo de desejar.
Estive refletindo sobre essa eterna insatisfação que nos toma a vida inteira. Essa busca que mais parece um tormento e lamento triste de estar sempre sofrendo pela nostalgia do passado ou pela espera de viver o inexistente futuro. Agora mesmo estou escrevendo e pensando que neste momento eu gostaria de estar na minha casa inexistente no interior, estendendo em meu varal inexistente minhas roupas recém lavadas com cheirinho de lavanda e me chateando com os cavalos inexistentes derrubando minhas roupas e eu tendo que estende-las novamente com um risinho de canto como quem aproveitasse uma alegria de quem não estaria pensando e sofrendo pela nostalgia de agora ou de um outro futuro inexistente mais a frente. Lembrança e espera... O que me sustenta é o que me falta...
Muitas vezes a imagem que tenho de mim é que estou sentada em uma cadeira neutra, nem confortável nem desconfortável, talvez com uma xícara de café em uma mão e uma de vinho na outra, me vendo passear pela minha própria vida. Andando pra lá e pra cá como quem não faz a menor idéia do que quer e ao mesmo tempo com todos os passos planejados. Talvez pela gigantesca consciencia que tenho de que a vida é como um rio... novas aguas sempre, fluxo intenso e milhares de pedrinhas impedindo a passagem seja sem ondulações, o que não me impede de certos desesperos - e, nesses momentos, mais ainda me vejo por fora de mim mesma sentada nessa cadeira observando meus movimentos de desespero e calmaria por qualquer coisa que seja.
E sigo desejante. Insatisfeita.
Fui lendo, e vendo uma mente sonhadora, criadora de paisagens e situações. Para além da insatisfação, pra mim chegou... tem mais vida ali, lá. Aqui tomo mais vinho, lá pode ser mais café . Ou quem sabe , lá seja a tradução da disposição que me revela o café, ou do relaxamento que me faz degustar o vinho. É novas aguas, diariamente.
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